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História Bjj

O jiu-jitsu se popularizou no Japão, mas historiadores apontam a Índia como seu ponto de origem. Séculos antes de Cristo, os primeiros praticantes foram os monges indianos, que viviam sob a constante ameaça dos bandidos que circulavam nos arredores dos monastérios ou atacavam as suas caravanas. Por suas convicções religiosas, eles não podiam usar armas nem golpes traumáticos (socos e chutes). Como se essa desvantagem não fosse suficiente, ficar rezando o dia inteiro não lhes concedia um porte físico privilegiado. A solução era utilizar uma arte fundamentada em técnica, alavanca e base. A nova arte marcial deu tão certo que os monges conseguiram escapar da extinção e ainda exportaram seus conhecimentos para a vizinha China.
Facilmente assimilado pelos chineses, o jiu-jitsu se difundiu como uma das técnicas de mano a mano utilizadas pelos exércitos do imperador Chin Shih Huang Ti, o comandante que reuniu os reinos entre 221 e 206 A.C. Segundo uma lenda oriental, o sacerdote chinês Chen Gen Pin ensinou a técnica dos guerreiros chineses a três samurais. Cada um deles aprendeu uma característica (a imobilização, a torção e a projeção, respectivamente) e levou esse conhecimento ao arquipélago japonês.
Segundo registros, o jiu-jitsu desembarcou no Japão no século II, depois de Cristo. Inicialmente, o aprendizado desse estilo era permitido apenas a nobres e samurais, mas a assimilação dos japoneses foi imediata. Logo assumiu o status de luta mais praticada do país e o estudo da arte em diversos centros diferentes causou uma explosão de novos golpes, aplicações e inovações. Socos e chutes foram incorporados no momento em que chegaram a existir cerca de 700 estilos diferentes do jiu-jitsu.
No final do século XIX, o judô tornou-se esporte oficial do Japão e o jiu-jitsu passou a ser uma luta marginal, proibida e perseguida pelo governo – talvez como a capoeira, no Brasil colonial. O estilo era praticado em segredo, tanto por pobres quanto por ricos. Mitsu Maeda, conhecido como Conde Koma, era mestre em judô e jiu-jitsu e foi o homem que construiu uma das amizades mais importantes da história das artes marciais.
Em 1914, uma missão diplomática trouxe Maeda a Belém, no Brasil, onde conheceu Gastão Gracie. O interesse do brasileiro por artes marciais conquistou a confiança do sensei japonês, que se tornou professor de seu filho Carlos Gracie, o primeiro brasileiro a ter contato direto com o jiu-jitsu.
Logo, o aprendiz se tornou mestre e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na Cidade Maravilhosa, foi a vez de Hélio Gracie, irmão de Carlos, aprender a arte que o velho Conde Koma havia ensinado a Carlos. Através de Hélio, a arte que passou pela Índia, China e Japão encontrou a sua expressão mais completa e definitiva. Voltando à essência dos monges hindus, Hélio retomou a defesa que prioriza a vitória do mais fraco e a torna acessível a pessoas de qualquer constituição física. As situações de combate dos antigos guerreiros chineses e samurais japoneses também foram inseridas dentro das possibilidades. Nunca uma luta fora aprimorada tanto em tão pouco tempo. Se tivesse o marketing norte-americano, Hélio Gracie poderia ter rivalizado em popularidade mundial com o astro Bruce Lee. Bom, era só uma questão de tempo…

Parecia roteiro de filme, mas não era. Na primeira metade dos anos 1990 foi realizado um evento reuniu praticantes de diversos estilos de artes marciais para um torneio sem divisão de pesos e com o mínimo de regras. A novidade era que esse campeonato seria realizado nos Estados Unidos e divulgado no mundo inteiro. Como todo bom “show” hollywoodiano, o primeiro Ultimate Fighting Championship foi cercado por luzes, efeitos especiais e todas as presepadas que os norte-americanos adoram. Os holofotes estavam voltados para os representantes americanos, especialmente o anabolizado Ken Shamrock. Ninguém deu muita bola para um brasileiro de vinte e poucos anos que vestia quimono branco, não tinha o porte físico de um gigante e praticava um estilo marcial brasileiro pouco conhecido. Para deslumbramento dos gringos, Royce Gracie, filho de Hélio, venceu esse campeonato sem grande dificuldade – derrotando Shamrock em 57 segundos. Sem exagero, foi o começo de uma revolução. Seus irmãos Rickson, Rorion, Renzo, Royler, e Rolker percorreram os ringues do mundo estabelecendo um novo parâmetro para o mundo das artes marciais.
Jiu-jitsu brasileiro não é coreografado, não rende filmes, não tem “kiais” ou gritos de guerra, mas é a mais perfeita e eficiente forma de defesa pessoal já criada.